Coração Narcisista

 

Introdução:

Provavelmente você já leu e se informou bastante a respeito da baixa autoestima, não é mesmo? Porém, não é somente a falta de estima que pode influenciar negativamente a vida das pessoas. Ter autoestima excessivamente elevada pode levar um indivíduo a cometer uma série de erros sem reconhecer que está enveredando por um caminho que dificilmente terá volta.

Narcisismo é enxergar apenas a si mesmo no mundo, e isso pode ter consequências bastante graves.

Apesar de ser uma questão bastante importante de se discutir, a autoestima excessivamente alta, não entra tanto em pauta quanto o seu inverso, a baixa autoestima. Considerada como um viés mais sombrio da questão, essa visão negativa de si mesmo também é bastante séria.

E quais são os sintomas da autoestima elevada?

  • Desdém a tudo o que lhe é oferecido;
  • Comportamento arrogante;
  • Terceirização de seus erros, ou seja, culpa sempre o outro por seus erros;
  • Trata com superioridade os seus desejos;
  • Incapacidade de julgar a si mesmo.

 

TEXTO: Pois quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado. (Lc 18:14b)

Argumentação:  O playboy do Novo Testamento

Ele é rico. Sapatos italianos. Usa gravatas de $ 1.000. Seu dinheiro está todo investido. Sua plástica é perfeita. Ele vive como se tivesse sempre voando de primeira classe.

É jovem. Afasta o cansaço fazendo ginástica e derrota o envelhecimento com os mais avançados tratamentos estéticos. É esbelto e de olhos penetrantes. Energia é sua marca registrada, e a morte, segundo ele, encontra-se a uma eternidade de distância.

Ele é poderoso e representa a nova geração.

Identifica esse personagem no Novo Testamento?!

Ele ficou conhecido como o “jovem rico.” Seu nome? Ninguém sabe. Não há registro. Ele sempre foi tratado por aquilo que dava valor... seu dinheiro.

Para quem estava acostumado a dar ordens, pedir ajuda ao filho de um carpinteiro é estranho.

De linhagem nobre, não era normal solicitar conselho de um desconhecido camponês.

- “Mestre”, que devo fazer para ter a vida eterna? Quanto preciso investir para ter a certeza de meu retorno?

O propósito da resposta de Jesus era fazê-lo amadurecer:

- Se você quer entrar na vida, obedeça aos mandamentos.

Qualquer pessoa com um mínimo de consciência teria, a essa altura, entregado os pontos.

- Quais?

Jesus pacientemente responde: 

- Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não darás falso testemunho, honra a teu pai e a tua mãe e ame o teu próximo como a ti mesmo.

- Muito bem, – diz o jovem sorrindo – tenho feito tudo isso desde a minha infância.

Com um ar de arrogância e colocando os dedos no cinturão, pergunta:

 - Há outros mandamentos que você queira me apresentar?

Como Jesus conseguiu deixar de rir ou chorar, não sei. A pergunta que tinha por objetivo mostrar ao jovem rico suas imperfeições mostrou sua prepotência, sua arrogância em se achar superior aos outros.

Jesus vai direto ao ponto:

- Quer ser perfeito? Vá, venda tudo o que possui e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu.

As palavras de Jesus deixaram o jovem rico triste e os discípulos confusos.

- Quem pode então ser salvo?

- Aos homens isso é impossível! - respondeu Jesus.

Ele não diz improvável. Não diz que é difícil. Ele diz que é impossível.

Assim como é impossível atravessar o Oceano Pacífico a nado. Ir à lua na rabiola de uma pipa. Escalar o Monte Everest com uma cesta de piquenique e uma bengala.

A não ser que alguém faça alguma coisa, você não tem chance de ir para o céu por seus próprios caminhos.

O que você quer custa muito mais do que você pode pagar. Você não precisa de um sistema, mas de um Salvador. Você não precisa de um curriculum vitae, mas de um redentor. “Pois as coisas são impossíveis aos homens são possíveis a Deus”. (Lc 18:27)

Você não pode salvar a si mesmo.

Observe que não foi o dinheiro que impediu o jovem rico de ser salvo; foi sua autossuficiência.

“Com toda a certeza vos afirmo que dificilmente um rico entrará no Reino dos céus”. (Mt 19:23)

Não é somente o rico que tem dificuldade, o intelectual, o forte, o belo, o popular, o religioso. Todo aquele que se julga melhor que o seu próximo por qualquer motivo. 

“Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração”. (Mt 6:21)

Isso se chama idolatria, e Deus não tolera esse tipo de pecado.

Tudo o que você coloca acima de Deus, da Sua Palavra, dos Seus Mandamentos, da Sua direção, é um deus na sua vida, e esse deus usurpa seu coração da Presença Daquele que te deu a vida.

·        O seu dinheiro não pode te livrar da morte.

·        Sua intelectualidade não livrará você no fim da vida.

·        Sua aparência não permanecerá com você até o fim dos seus dias.

·        Sua força, sua popularidade e até a sua religiosidade não te acompanharão no dia do seu último suspiro. 

·        Somente Deus pode fazer com que o fechar dos olhos nessa terra seja um abrir no Seu Reino.

Se você achou pesada essa afirmação, então leia Mateus 7:22-23.

“Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não expulsamos demônios? E, em teu nome, não fizemos muitas maravilhas? E, então, lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade”.

Espantoso!

Essas pessoas estão diante de Deus exaltando a si mesmas.

A grande trombeta soou, e elas ainda estão tocando suas próprias cornetas anunciando suas boas ações, suas qualificações, seus atos de justiça própria.  

Em vez de entoar louvores a Deus, cantam em seu próprio louvor. Em vez de adorar a Deus, leem seus currículos. Quando deviam estar caladas, falam. Na presença do próprio Rei, se vangloriam. O que é pior – sua arrogância ou sua cegueira?

E somente um Deus grandioso faz por seus filhos aquilo que eles não podem dar por si mesmos.

Esta é a mensagem de Paulo: “Porquanto o que fora impossível à lei, isso fez Deus enviando o Seu próprio Filho”. (Rm 8:3)

E esta é a mensagem da primeira bem-aventurança:

Bem-aventurados os humildes (ou pobres) de espírito. (Mt 5:3).

O que seria um pobre de espirito?

É uma pessoa que reconhece sua miséria espiritual diante de Deus.

Um espírito pobre é aquele que entende que está espiritualmente arruinado sem Deus, desprovido de todas as virtudes. Totalmente miserável diante do Todo-Poderoso.

O júbilo divino é recebido mediante a submissão, e não conferido mediante a conquista ou mérito próprio.

Conclusão:       

Quantos de nós somos como este jovem rico?!

  • Desdenhamos todo e qualquer conhecimento ou experiência alheia;
  • Temos comportamentos arrogantes, não aceitamos exortação de nenhum tipo;
  • Terceirizamos os nossos erros, deixando a culpa no ombro alheio;
  • Julgamos merecer mais crédito e espaço que o nosso próximo;
  • Temos dificuldade no autojulgamento, já que não aceitamos estar errados.

O que o jovem rico nos ensina?

  • Todos os nossos atos são como trapos de imundícia diante do Pai;
  • Não há méritos em nós. Tudo o que fazemos de bom, é pela misericórdia de Cristo;
  • Nada do que fizermos nessa terra é capaz de nos justificar diante de Deus;
  • Quem de nós está preparado para encontrar com o Senhor e ouvir - Vinde a Mim benditos do meu Pai?! Entra para o gozo do Seu Senhor...

 

O Mito de Narciso

 

Narciso era um rapaz plenamente dotado de beleza. Seus pais eram o deus do rio Cefiso e da ninfa Liríope. Dias antes de seu nascimento, seus pais resolveram consultar o oráculo Tirésias para saber qual seria o destino do menino. E a revelação do oráculo foi que ele teria uma longa vida, desde que nunca visse seu próprio rosto.

 

Narciso cresceu, e se transformou um jovem bonito de Beócia, que despertava amor tanto em homens quanto em mulheres, mas era muito orgulhoso e tinha uma arrogância que ninguém conseguia quebrar. Até as ninfas se apaixonaram por ele, incluindo uma chamada Eco que o amava incondicionalmente, mas o rapaz a menosprezava. As moças desprezadas pediram aos deuses para vingá-las. Para dar uma lição ao rapaz frívolo, a deusa Némesis, (aqui como um aspecto de Afrodite[4]) o condenou a apaixonar-se pelo seu próprio reflexo na lagoa de Eco. Encantado pela sua própria beleza, Narciso deitou-se no banco do rio e definhou, olhando-se na água e se embelezando. Depois da sua morte, Afrodite o transformou numa flor, Narciso.

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